Diabetes além do físico: 70% dos brasileiros que vivem com a condição relatam impacto emocional significativo da doença

Diabetes além do físico: 70% dos brasileiros que vivem com a condição relatam impacto emocional significativo da doença

Levantamento inédito da Global Wellness Institute (GWI) aponta ainda que a imprevisibilidade da glicemia afeta a saúde mental, o sono e a rotina diária dos pacientes
 

 

Com 16,6 milhões de adultos diagnosticados, o Brasil ocupa a 6ª posição mundial em casos de diabetes, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025 da International Diabetes Federation (IDF). Esse cenário reforça a urgência do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico contínuo para evitar complicações. Contudo, os desafios vão além da questão clínica: a doença impacta severamente a saúde emocional, como demonstra um novo levantamento* do GWI (Global Wellness Institute) em parceria com a Roche Diagnóstica sobre a realidade dos pacientes no país.

 

O fardo na saúde mental e na rotina


De acordo com os dados, 70% dos brasileiros com diabetes afirmam que a condição afeta significativamente seu bem-estar emocional, número que sobe para 77% entre pacientes com diabetes tipo 1. Além disso, o estudo revela um cenário de constante tensão: 78% relatam ansiedade ou preocupação com o futuro, enquanto 2 em cada 5 dizem sentir solidão ou isolamento devido à doença.

 

A rotina também é impactada de forma prática e cotidiana. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma que o diabetes limita a capacidade de passar o dia fora de casa, enquanto 46% relatam dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas. O impacto se estende até o descanso: 55% dizem não acordar plenamente descansados, refletindo os efeitos das variações glicêmicas durante a noite.

 

"O estresse emocional, a ansiedade e noites mal dormidas, por exemplo, elevam os hormônios que são contrários à produção da insulina, como o cortisol, hormônio de crescimento, adrenalina e glucagon. Esses hormônios aumentam a glicose no sangue. Então, a pressão psicológica pode descompensar o diabetes, mesmo que esteja seguindo corretamente o tratamento. São fatores que fazem a glicose subir ou a glicose cair", explica o Dr. Márcio Krakauer, médico endocrinologista e coordenador do Departamento de Tecnologia, Saúde Digital e Inovação da Sociedade Brasileira de Diabetes.

 

A lacuna de confiança e a busca por previsibilidade


Apesar dos avanços no cuidado, o estudo indica que o modelo atual ainda não atende plenamente às necessidades dos pacientes. Apenas 35% se sentem muito confiantes no gerenciamento da própria condição, evidenciando lacunas no controle e na previsibilidade da doença.

 

Nesse contexto, surge uma demanda clara por inovação. Quase metade dos entrevistados (44%) aponta que tecnologias mais inteligentes, capazes de prever mudanças nos níveis de glicose, deveriam ser prioridade. Entre aqueles que utilizam apenas medidores tradicionais - os glicosímetros, conhecidos também como “teste de ponta de dedo” -, 46% afirmam que alertas preditivos seriam o principal incentivo para adotar o sensor de monitoramento contínuo de glicose (CGM).

 

A previsibilidade aparece como um divisor de águas no cuidado com o diabetes. Mais da metade dos participantes (53%) considera a capacidade de prever níveis futuros de glicose como a principal funcionalidade desejada em soluções com IA. Entre pacientes com diabetes tipo 1, esse número chega a 68%.

 

Além disso, o estudo mostra que 56% dos entrevistados brasileiros afirmam que se sentiriam mais no controle da doença ao ter acesso a tendências antecipadas dos níveis de glicose, enquanto 48% destacam que a redução de surpresas, como picos e quedas inesperadas, teria impacto direto na qualidade de vida. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, a percepção de valor é ainda mais expressiva: 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever eventos como hipoglicemia ou hiperglicemia, reforçando a importância de soluções mais inteligentes e preditivas no manejo da condição.

 

“O diabetes exige decisões constantes ao longo do dia, em especial o do tipo 1, que é uma doença de previsibilidade. Tudo o que acontece com o diabetes tipo 1 tem que ser tentado prever ou, pelo menos, ter uma ideia, porque as pessoas têm que se antecipar nas atitudes e escolhas que terão ao longo do dia, tanto na alimentação, como na dose do medicamento ou na atividade física. Tudo tem que ser antecipado para evitar problemas de alta ou de baixa glicêmica. Então, ter ferramentas que disponibilizem essas previsões é bastante valioso na rotina de quem vive com esta condição”, afirma o Dr. Krakauer.

 

*Sobre a pesquisa do GWI com a Roche Diagnóstica
A pesquisa é baseada em dados de um estudo conduzido pela GWI, encomendado pela Roche, em setembro de 2025, que explorou percepções sobre o diabetes, a vida com a doença e as ferramentas de manejo. O estudo ouviu 4.326 pessoas com diabetes, com 16 anos ou mais, em nível global, como parte de uma pesquisa mais ampla com 16.310 usuários de internet em 22 países. Os mercados incluídos são Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Hong Kong, Índia, Japão, Kuwait, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Turquia e Reino Unido.

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