Crise nos bastidores: saída de Alessandro Brito desencadeia reformulação e guerra de versões no Botafogo
O Botafogo vive dias de intensa turbulência nos bastidores após o anúncio da saída de Alessandro Brito do cargo de diretor de gestão esportiva da SAF. O profissional, que chegou ao clube em 2022 como head scout e tornou-se nome importante das contratações que culminaram nos títulos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores em 2024 pediu para deixar o Alvinegro.
Para evitar o vácuo no poder durante o andamento da temporada, a diretoria alvinegra definiu que Léo Coelho vai acumular as funções temporariamente. Atual diretor de coordenação de futebol, Coelho assume o comitê de transição enquanto o CEO da SAF, Eduardo Iglesias, busca um substituto definitivo. O nome que desponta com maior força nos corredores de General Severiano é o de Raphael Rezende, ex-coordenador de scout do próprio Botafogo, demitido em fevereiro por contenção de despesas. O interesse da SAF no retorno de Rezende ganhou contornos ainda mais realistas após a informação de que o profissional recusou, recentemente, uma proposta de contrato do SBT para comentar a Copa do Mundo, sinalizando que seu foco está em retornar ao dia a dia do futebol de campo.
A aparente normalidade da transição administrativa, contudo, foi implodida poucas horas depois pelo empresário norte-americano John Textor. Em uma publicação contundente nas redes sociais, Textor desmentiu a nota oficial do Botafogo, que afirmava que a saída de Brito havia sido combinada e comunicada a ele em abril. O acionista majoritário classificou o comunicado do clube como um "discurso enganoso" e uma "manipulação" para esconder a desconfiança e a instabilidade geradas pela nova direção entre os funcionários mais antigos.
Subindo o tom, Textor atacou abertamente a influência do clube social sobre a gestão do futebol, afirmando que os profissionais que conquistaram os títulos recentes não se sentem confortáveis com o atual modelo político. O empresário revelou ainda que já costurou um acordo com a empresa Ares para apresentar uma proposta de compra das ações e retomar o controle total da SAF, mas esbarra na resistência interna do clube social, que hoje prioriza as negociações com o grupo GDA Luma. A saída de Alessandro Brito, portanto, deixa de ser apenas uma baixa técnica e passa a ser o estopim de uma queda de braço pública pelo futuro do futebol botafoguense.
Foto: Vitor Silva / BFR