Olaria e America empatam em 2 a 2 em clássico de reviravoltas na Rua Bariri
Em uma manhã de sábado ensolarada e de arquibancadas cheias na Rua Bariri, Olaria e America protagonizaram um dos jogos mais emocionantes da 8ª rodada do Cariocão Série A2. Com direito a domínio tático, reações inflamadas, pênalti e gol nos minutos finais, o clássico terminou empatado em 2 a 2, mantendo o Sangue na zona de classificação e complicando a vida do Azulão na busca pelo G4.
O duelo marcou a reestreia do técnico Edson Souza no comando do Olaria, justamente contra sua ex-equipe. Do outro lado, Robson Silveira surpreendeu na escalação inicial do América, mandando a campo uma trinca de zagueiros em um esquema 5-4-1 que ditou o ritmo da primeira etapa.
O domínio do America e o gol cedo
A estratégia do America funcionou com perfeição nos primeiros 45 minutos. Com linhas baixas e transições rápidas, a equipe visitante não demorou a abrir o placar.
Logo aos seis minutos de jogo, o camisa 10, Luan Lúcio, brilhou. Em uma belíssima jogada individual, ele enfileirou a marcação do Olaria, quebrando as linhas de defesa. A bola sobrou limpa para Fortunato, que, com muita frieza, bateu de canhota na saída do goleiro Diego Cerqueira para fazer 1 a 0.
Após o gol, o América controlou a partida com certa tranquilidade. Os volantes americanos jogavam soltos, enquanto o Olaria, pouco inspirado e refém de um ritmo passivo, esbarrava na forte barreira defensiva armada por Robson Silveira, descendo para o vestiário sob forte tensão.
A resposta do Olária
Se o primeiro tempo foi do America, a etapa final foi dominada pelo Olaria. O técnico Edson Souza promoveu alterações cruciais logo na volta do intervalo, sacando Beto e Raílon para as entradas de Gabriel Mancha e Léo Itaperuna. O time adiantou suas linhas, empurrou o America para o campo de defesa e adotou uma postura extremamente agressiva.
A pressão surtiu efeito aos 12 minutos. O atacante Jajá, o jogador mais lúcido do Olaria na partida, resolveu na individualidade. Ele chamou a marcação para dançar, achou espaço na até então intransponível defesa americana, ajeitou o corpo e soltou uma bomba de pé direito. Um golaço sem chances para o goleiro Juan: 1 a 1.
O empate mudou completamente o estado anímico do jogo. O America, encolhido, via o Olaria criar chance atrás de chance. Aos 37 minutos, veio a virada. Após uma tentativa improvável de bicicleta do lateral Vitinho, a bola explodiu no braço do zagueiro João Victor dentro da área. O árbitro Lucas Coelho Santos não hesitou e marcou o pênalti.
Na cobrança, a experiência falou mais alto. O veterano Léo Itaperuna, aplicando a famosa "lei do ex", foi para a bola aos 39 minutos. Com extrema categoria, deslocou o goleiro Juan, mandando a bola no canto oposto para explodir a torcida na Bariri: Olaria 2 a 1.
A resiliência americana nos acréscimos
Quando o Olaria já contava os três pontos que o igualariam ao América na tabela, a equipe rubra mostrou por que é uma das visitantes mais indigestas da competição. O técnico Robson Silveira desfez a linha de cinco defensores, lançou o time à frente e foi recompensado nos acréscimos.
Aos 44 minutos do segundo tempo, em uma das raras descidas do América na etapa final, o lateral Artur Vinholi foi até o fundo pela esquerda e caprichou no cruzamento. O meia Henrique, que havia saído do banco de reservas justamente para reter a bola e equilibrar o meio-campo, apareceu como um autêntico centroavante. Ele subiu mais que a defesa do Olaria e testou firme para o fundo da rede, decretando o empate salvador: 2 a 2.
O América ainda teve a chance de conseguir uma reviravolta no último minuto com Caio Rangel, que chutou para fora, mas o placar permaneceu inalterado até o apito final.
Foto: Igor J. Reis